REAPRENDENDO A SER FELIZ!

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_DSC3598Ser feliz é o anseio de todas ( ou quase todas) as pessoas. No entanto, as pesquisas relacionadas à qualidade de vida das pessoas, mostram um grau de insatisfação muito grande. A grande maioria não se considera feliz, pelos mais diversos motivos.
Um dos aspectos que mais é citado como fator para a infelicidade é a perda de algo ou de alguém importante na vida. As pessoas se entristecem quando passam por um processo de luto, mas dificilmente querem falar sobre o assunto que ainda parece ser um tabu. Nossa proposta vai exatamente na direção de fazer das perdas e do luto um assunto que faça parte de nossa agenda normal de vida.
Falar sobre perdas ou luto não é algo comum na agenda diária da maioria das pessoas. A grande maioria prefere nem colocar esse assunto em pauta. É interessante esse comportamento, afinal, todos nós precisamos lidar com perdas em nosso dia-a-dia. Elas podem ser de menor ou maior impacto, mas estão presentes em nossas vidas.
O gatinho de estimação que foi roubado, o cachorro que morreu, o pássaro que cantava tão bonito amanheceu morto, o emprego, aparentemente tão estável, foi para o espaço, o diagnóstico de uma doença inesperada, a morte de um ente-querido são apenas alguns exemplos de situações que nos fazem sofrer. Como lidar com situações assim?
Existem os que simplesmente preferem ignorar o acontecimento, fazendo de conta como se nada tivesse acontecido. Aliás, tenho percebido que essa é uma postura muito comum. É muito mais cômodo “brincar de fazer de conta” do que encarar a situação de frente.
A curto prazo, pode até ser uma saída razoável, mas não é possível sustentar essa situação por muito tempo, sob pena de adoecermos e de passarmos por transtornos que provoquem um enorme sofrimento para nós mesmos e para os que conosco convivem.
Já que perdas e luto são inevitáveis, mais importante do que “fazer de conta” que isso nunca vai acontecer conosco, é procurar ajuda de alguém nos ajude a elaborarmos nosso processo de luto.
Existem diversas possibilidades, tais como uma psicoterapia, um personal coach especializado no assunto, um grupo terapêutico ou outra atividade que nos ajude a não fugir do assunto e sim a encará-lo de frente.
Precisamos estar cientes de que qualquer perda nos leva a um processo de luto. E esse processo é sofrido e facilmente pode nos levar uma depressão e desencadear distúrbios psico-somáticos sérios. O luto precisa ser tratado, precisa ser elaborado para que aprendamos a conviver com ele, sem que nos cause sofrimento.
Uma das maiores autoridades no assunto, a psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross, faz uma abordagem muito interessante e que tenho utilizado em meu trabalho com enlutados. Ela parte do princípio de que o luto compreende cinco fases.
Para a superação do luto, é importante que cada uma dessas cinco fases seja vivenciada intensamente, pois somente assim, a superação é possível.
A primeira fase do luto é a NEGAÇÃO. Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou da situação. Na verdade a pessoa tenta se enganar a si mesma, com pensamentos do tipo: “o pássaro não morreu”, “o cachorro não foi roubado”, o “ente-querido não morreu”. O comportamento da pessoa que vivencia a primeira fase do luto é a de ignorar a situação, de evitar falar sobre ela. Já acompanhei muitas pessoas que nessa fase vivem como se estivessem “anestesiadas”. Fazem de conta como se nada tivesse acontecido e tentam continuar levando uma vida “normal”. No entanto, é tudo só aparência. São pessoas completamente infelizes e totalmente desplugadas da realidade.
A segunda fase é a da RAIVA. Nessa fase a pessoa começa a esboçar alguma reação. Se dá conta de que não dá mais para camuflar a situação, não dá mais para fingir como se nada tivesse acontecido. A realidade precisa ser encarada. No entanto, aí entra um componente importante: minha onipotência é questionada. Tenho que admitir que não sou essa fortaleza que eu sempre aparentava ser. Tenho que admitir minha fragilidade. E isso faz com que eu sinta muita raiva. Raiva de mim mesmo, raiva de Deus, raiva das pessoas que me rodeiam. Nessa fase surgem frequentemente perguntas como: por que eu? Por que aconteceu comigo? Pessoas nessa fase perdem a calma com muita facilidade quando se toca no assunto. Evitam falar sobre a situação. Tornam-se extremamente sensíveis. Se isolam de tudo e de todos. Inconscientemente, machucam quem tenta se aproximar para ajudar. Afinal, alguém precisa “pagar” pelo meu sofrimento. E geralmente ssão as pessoas que estão mais próximas.
A terceira fase é a da NEGOCIAÇÃO. É o momento de tentar fazer-se algum tipo de “acordo” para que tudo volte a ser como sempre foi. Essa negociação geralmente acontece interiormente. A pessoa faz acordos consigo mesma. Mas ultimamente tenho percebido que esses acordos também se voltam muito para a religiosidade. A pessoa faz promessas ou estabelece pactos, mas tudo isso geralmente acontece em segredo. É uma negociação do enlutado consigo mesmo. Os únicos aspectos perceptíveis nessa fase são as mudanças de alguns hábitos, como por exemplo, frequentar com assiduidade missas, cultos ou reuniões religiosas, mudar hábitos alimentares, cuidando melhor de sua saúde, praticar exercícios físicos. É a fase em que a pessoa que sofreu alguma perda, tenta de alguma maneira compensar essa perda com atitudes positivas, para com isso amenizar sua dor e seu sofrimento.
A quarta fase é a da DEPRESSÃO. Depois de um breve período de aparente conformismo, surge essa fase que é de um sofrimento profundo, tristeza, culpa, instrospecção e isolamento. A pessoa perde sua auto-estima e pensamentos negativos tomam conta dela, como por exemplo: não tenho capacidade para lidar com isso”, ou, “as coisas nunca mais ficarão bem”. A pessoa tem crises constantes de choro, se isola das outras pessoas e cultiva um sentimento de auto-destruição. É com certeza, a fase mais difícil e requer cuidados especiais. O cuidado para com o enlutado nessa fase é muito importante, pois, com frequência surgem pensamentos suicidas e em alguns casos, os pensamentos transformam-se em realidade. Reforço aqui minha sugestão de grupos de auto-ajuda que tem uma capacidade terapêutica muita grande.
A quinta fase é a da ACEITAÇÃO. Passado o período crítico da depressão, chega um tempo de maior calmaria. A pessoa começa a perceber que não pode mudar absolutamente nada no rumo de sua vida e que tudo acontece exatamente da maneira como tem que acontecer. Ela percebe que não é a única pessoa que passou por determinada situação e que, assim como outros superaram sua dor ela também é capaz. Descobre também que a partir de sua mais profunda dor, emerge um novo ser, mais forte, mais corajoso e com um enorme potencial para ajudar outras pessoas. É uma fase de grandes descobertas e a pessoa sente-se extremamente feliz em poder colocar sua experiência a serviço de outras pessoas. Geralmente é uma pessoa que assume cargos de liderança seja em empresas ou organizações, bem como em grupos religiosos ou alternativos em forma de voluntariado.
Não existem estudos que comprovem a duração de cada uma dessas fases. Isso vai depender de pessoa para pessoa. Em muitas situações as fases do luto são tratadas como se a vida fosse linear, o que traz sérios problemas, pois é comum ver a pessoa superar uma fase e ficar estagnada nela ou até regredir.
Partimos do princípio de que a vida é cíclica e por isso é importante, quando trabalhamos as fases do luto, permitir que o enlutado tenha o tempo necessário pra fechar um ciclo e então abrir um novo ciclo. Isso facilita em muito o trabalho e o resultado final é muito mais eficaz.
Cada fase deve ser vivida intensamente e minha sugestão é de que ao fecharmos um ciclo, façamos um pequena celebração como um rito de passagem, antes de abrir-se um novo clico e assim sucessivamente, até alcançarmos a fase da aceitação. Ao fechar esse ciclo pode-se pensar numa celebração maior e mais significativa, pois é o “renacimento” para uma nova vida.
A vida terrena é muito curta e ao mesmo tempo muito preciosa para ser desperdiçada. Vamos vive-la intensamente! Mesmo tendo passado ou estar passando por um processo de luto, é importante investir para que tenhamos uma melhor qualidade de vida, reaprendendo a sermos felizes.
B. Velha, 03 de junho de 2014.
Waldir Humberto Schubert
Master Coach ISOR

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